Estados Unidos do Brasil ou da China?
O presidente Lula está na China, acompanhado por 40 autoridades, incluindo ministros, governadores e deputados. Sendo a economia o sangue que corre nas veias de todo país, a comitiva brasileira foi atrás de muito mais do que equipamentos eletrônicos “xing ling”. Como o dinheiro sempre anda acompanhado pela política, é aí que a viagem deixa de ser uma mera formalidade: seriam mesmo apenas negócios? Deve-se lembrar que o momento é de mudança na política internacional e o tabuleiro desse jogo é tradicionalmente o Terceiro Mundo. Sendo assim, melhor para os países com maior extensão territorial porque significam também mercados maiores.
Nesse caso, o
Brasil sempre teve papel privilegiado, por suas riquezas naturais, mas
principalmente pela proximidade com os Estados Unidos, que suam frio só de
pensar em ter um vizinho hostil do nosso tamanho. Pensando na dor de cabeça que
uma ilhazinha como Cuba criou para eles, aprenderam a lição e, para sorte e
azar dos demais países do continente, passaram a garantir a “fidelidade” na
região por meio de acordos comerciais. Só que, de tempos em tempos, essa
disposição para negociar muda: na Guerra Fria, por exemplo, havia concorrência acirrada
na política internacional e o Terceiro Mundo era disputado a tapa por Estados
Unidos e União Soviética, um concorrente que não focava no comércio, mas que
seduzia corações e mentes com pensões, moradia, educação, saúde e educação
gratuitos. Para competir, os governos pelo mundo rebolaram para oferecer um
pouco de tudo isso, o que explica a história de muita gente que se aposentou
muito bem entre as décadas da 1950 e 1980.
Porém, os
soviéticos desapareceram em 1991 e os americanos dominaram a política e
economia mundial por três décadas. Nesse período, pior para quem tivesse que
negociar com os donos de todas as peças e até do tabuleiro do jogo, não é? Então,
é o fim disso que o mundo está vivenciando hoje, com a Rússia e a China colocando
“as manguinhas de fora”. Compreende-se que a mudança traz incertezas e com isso
o medo, mas é de se pensar: se monopólio é ruim nos mercados nacionais, por que
seria bom para a economia e política mundial?
Oferta e demanda
Nossos laços culturais com os americanos são tão estreitos que, a partir da Proclamação da República, em 1889, o nome oficial desse país colorido e calorento foi Estados Unidos do Brasil, o que perdurou até, pasmem, 1968! Entretanto, o mundo mudou muito desde então.
Hoje, a Rússia demonstrou que as pressões econômicas americanas não têm mais o efeito de outros tempos porque, se as torneiras de dólares se fecham, a China abre seus cofres cheios com a sua moeda, o yuan, em valores muito mais favoráveis. Por exemplo, em 12 de abril de 2023, para comprar um dólar, o brasileiro pagaria R$ 4,94, ao passo que um yuan custava apenas R$ 72 centavos. É aí que muitos dos antigos acordos comerciais com os americanos, no mundo inteiro, vem sendo substituídos por novos, agora com os chineses.
Eis uma
oportunidade para o Brasil: se os americanos quiserem manter a influência que
tem no maior país da América do Sul, é natural que as condições para cooperação
têm que melhorar. O raciocínio é simples: se oferta e demanda são boas para os
países do Primeiro Mundo, por que não seriam para o Terceiro Mundo? Tudo na
vida é questão de negociação.
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